Aqui José Mojica Marins, no papel de um sujeito idêntico ao Zé do Caixão, um tal de Rodrigo Nabu, governa com mão de ferro e corrupta a pacata cidadezinha de Serinhaém. Esse sujeito rico e mau como um pica-pau controla o prefeito e o delegado, proíbe padres de realizarem missas, desliga a água e a luz do orfanato, tenta roubar o sino da igreja, é uma desgraça só.
Do outro lado do ringue, Pedro de Lara (o eterno jurado do "Show de Calouros" do Sílvio Santos, bem como o "Salci Fufu" do programa do Bozo, foi o escritor, produtor e protagonista dessa verdadeira batalha épica religiosa em forma de filme) é o nosso herói: tal qual o padre carateca de "Fome Animal" do diretor Peter Jackson, ele desconhece o medo e mói de pancada os capangas do Zé do Caixão para defender a sua igreja!
Do lado do padre Pedro, temos a fofoqueira da cidade (Wilza Carla!), o bêbado da praça, um coroinha retardado e seu inseparável papagaio, um bode e um carneiro (!?) e o Gugu Liberato (!?!). Tem até participação do Petrúcio Melo como um padre!
Parênteses mais que necessários para Petrúcio Melo: ele era jurado de um programa de tevê que passava de madrugada na Bandeirantes há uns anos atrás, quase tão bizarro e obscuro quanto o filme do Pedro de Lara. A atração, bálsamo divino para trashers insones, "Alegria Alegria", apresentado por Daltro Cavalheiro, era patrocinado pelos biscoitos Dunga e tinha como ponto alto "A Hora das Transformistas"! Petrúcio Melo foi o jurado que deu a vitória inesquecível para Negresca Nagraska, numa das cenas mais trash do universo televisivo!
Voltando ao filme, tudo ali é muito absurdo e inacreditável. No clímax, Zé do Caixão mostra toda a sua terrível fúria com a bondade do padre carrancudo de Lara e começa a explodir seus próprios capangas com dinamite!
Caríssimos, não tenho mais palavras. Assistam... se tiverem coragem!
Chamada do filme pelo Canal Brasil
Descanse em paz, Pedro de Lara!





