terça-feira, 4 de junho de 2013

Gasparzinho F., drogado, prostituído e aviãozinho do tráfico... no Japão!


Sim caríssimos! O blogue estava meio abandonado, quase um defunto cadavérico falecido  de morte morrida (muito em parte por preguiça, esse enfadonho pecado capital do mal!), mas os dedicados e insanos paramédicos do filmaço do Scorcese, “Vivendo no Limite”,  se encarregaram de ressuscitar esse combalido espaço de exumações que definhava na sarjeta, em uma sessão do descarrego inesquecível envolvendo desfribiladores, psicotrópicos e velas do sétimo dia! Aleluia, São Nicolas Cage!

A antológica cena da ressurreição de “Vivendo no Limite” (1999), de Martin Scorcese:

Aleluia!

Pois rufem os tambores porque o “Anti-Oblívio” está de volta! Amém! Oh lorde, sempre que tiver um tempinho de sobra, dividirei aqui com os caríssimos e ávidos leitores exumações cinematográficas - e otras cositas más!

Mas aproveitando o assunto dos cadáveres mortos de defuntos já falecidos que resolvem ignorar essa definitiva condição da mortalidade humana para assombrar o plano terreno por puro tédio - ou sadismo, no caso de Gasparzinho, o pentelho nada camarada –, que tal partirmos para a fantasmagórica exumação do filme de hoje? Fiquemos, pois, com “Enter The Void”, produção gigantesca de quase três horas de duração do polêmico diretor de “Irreversível” e “Seul Contre Tous”, Gaspar Noé.

 

Nessa maluquice surreal acompanhamos a trajetória do fantasma junkie Oscar, um jovem traficante cuja vida foi encerrada em Tóquio. Mais precisamente no banheiro do bar chamado “The Void” - ou, em tradução tosca para o português, “O Vazio”. Qualquer relação com o assassinato no bizarríssimo clube gay sadomaso “Rectum”, do filme “Irreversível”, e à passagem truncada do tempo ao longo da exibição não é mera coincidência!

Também é importante mencionar como os espectadores são lançados numa experiência psicodélica inesquecível durante a extensa projeção: o filme se passa através dos olhos ectoplásmicos do chapado protagonista (aquela famosa perspectiva do videogame “Doom”!), e já na enorme abertura somos submetidos a letreiros hipnóticos, psicodélicos e fosforescentes embalados por uma música espectral! Não deixem de jeito nenhum que criancinhas assistam esses créditos iniciais, sob pena de reprise dos ataques epiléticos causados pelo maldito anime do Pikachú!!
Trechos dos epiléticos e hipnóticos créditos iniciais de "Enter The Void" (Gaspar Noé, 2009):


Como é de se esperar nas películas do Gaspar Noé, temos insanidade de sobra e movimentação de câmera maneiríssima! Quanto ao desenrolar da história, nosso perturbado fantasminha camarada passeia nessas mais de duas horas e quarenta de filme por uma superiluminada e sempre estranha Tóquio, tendo flashbacks da infância e espiando sua fenomenal irmã stripper gostosa trepando loucamente (um brinde a Paz de La Huerta!). 
 

Logo de cara somos lançados no extramundo lisérgico do século vinte um, em impressionante sequência parecida com a vivida por William Hurt no fabuloso “Viagens Alucinantes” do diretor Ken Russel! A diferença é que no século vinte e um a “viagem alucinante” é mais fosforescente e computadorizada! E, no fim das contas, o filme nada mais é do que  um “sexploitation hippie de arte” (olha as minhas classificações de gênero absurdas de volta!) em sua melhor definição, pois nossos sentidos são estimulados impiedosamente até o clímax inacreditável dos órgãos genitais fosforescentes rumo à transcendência final! É o ciclo da vida e da morte se fechando na bizarra Tóquio regado a drogas e sexo animal!
 
O filme é quase uma reprodução da chamada “Experiência de Quase Morte”, que são os relatos de gente com um pé na cova que retornou ao mundo dos viventes. Quase sempre eles contam sobre aqueles flashbacks de momentos importantes da vida, ou o famoso túnel com a inevitável luz no final e, principalmente, a experiência de deixar o próprio corpo e vagar por aí no estilo do Gasparzinho. Interessante notar que esses relatos, muitas vezes associados a uma experiência religiosa, não são exclusividade da cultura ocidental. Ainda que a religião preferida de grande parte da classe média burguesa seja o espiritismo, existem culturas bem antigas onde a essência do espírito humano viaja pra fora do corpo, como por exemplo em cerimônias pagãs de aborígenes australianos, de hindus, e até em certos lugares da América Central.
 
No fim, o grande “barato” (!) da “viagem” (!) em forma de película proporcionada por Gaspar Noé, “Enter the Void”, é a vivência dessa experiência audiovisual única da alma pra fora do corpo, tão lisérgica, transcendental, psicodélica e orgásmica quanto pode ser a dos fantasmas de Timothy Leary ou de William Burroughs! Sexo, Drogas, Roquenrrou, e muito Neón, o verdadeiro ciclo da vida onde Rei Leão nenhum é doido de se meter a besta!
 
Confiram o trailer do filme onde a câmera e o espectador "viajam" junto com o fantasmagórico protagonista drogado!


P.S.: Se possível, assistam “Enter the Void” com a luz apagada e muita cerveja na idéia, escutando na vitrola a trilha sonora do Rei Leão de trás pra frente! Esconjura Satanás, São Nicolas Cage!!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Travecum Heroicum Est?

Em 1938 a DC Comics criou o Super Homem. Em 1939 foi a vez do Batman. O primeiro usa a cueca pra fora da calça e é o alienígena musculoso, espalhafatoso e poderoso com forte senso de justiça para proteger o seu planeta adotivo. O segundo também usa a cueca pra fora da calça, é órfão de pais milionários assassinados, sombrio e inteligente com vingativa obsessão contra todos os malfeitores. Assim, a clássica fórmula está consagrada para se criar centenas de combinações de outros super-heróis nas histórias em quadrinhos americanas mesclando-se características "diurnas" e "noturnas" desses dois bambambãs dos gibis.

Mas seguindo o estilo dos quadrinhos pulp baratos e toscos que fizeram sucesso até os anos 50, a maioria dos heróis criados até os anos 40 nos States era mais parecida com o Batman e vinha sem poderes; na verdade alguns eram até monotemáticos, como o Sandman de 1939, que só contava com a cueca pra dentro da calça (!) e com uma pistola sonífera para combater o crime! Santa coragem, Batman!

E é nessa época dourada e glamurosa, mais precisamente em 1940, que nasce a primeira super-heroína do mundo, caríssimos! Não, não se trata da sensual Mulher Maravilha que virá no ano seguinte (criada pelo mesmo sujeito que inventou o polígrafo!!! - não é mentira!) com suas inesquecíveis pernas de fora e botas até a coxa, mas sim a Tornado Vermelho! Quem? Olha aí embaixo:



Bizarro, não? Tornado Vermelho era, em sua identidade civil, uma pacata dona de casa de meia idade sem poder nenhum que usava como fantasia um cobertor comum no lugar da capa e uma panela na cabeça e era confundida com um homem! Em 1940!!! A primeira paródia do gênero dos super-heróis também satirizava o gênero das identidades sexuais nos quadrinhos! Mas, para assombro eterno dos caríssimos leitores, Ma Hunkel (a identidade civil da simpática senhora misto de heroína e dona de casa) não é o primeiro personagem travesti dos quadrinhos! Santo espanto, Batman! O primeiro traveco nos gibis veio meses antes, também em 1940, na forma de... Madame Fatal!!!




Madame Fatal não é só mais um herói fantasiado!

Madame Fatal e seu fiel parceiro shakespeariano papagaio-prodígio!!


"Santo mau gosto, Robin! Que jeito mais horrível de se vestir!
Simplesmente andrajoso!"

Que ano esquisito para os quadrinhos, não? Bem, Madame Fatal é uma velhinha sexagenária que enfia a bolacha nos malfeitores com sua bengala! E qual é o seu poder? Ora, na verdade a velhinha sexagenária é homem! Trata-se de um ator/detetive/ricaço que se disfarça de velha e não usa cueca pra fora da calça para combater o crime, mas sim manta, vestido, peruca, maquiagem, bengala, anágua... e calcinha!! Mais uma vez... Santa coragem, Batman!

Nem é preciso dizer que lá pelos anos 50 a DC Comics comprou esse personagem, mas nunca mais foi usado - os conservadores editores preferiram esquecê-lo (a!), diferente da Tornado Vermelho, que virou até dona de casa da mansão da Sociedade da Justiça! Mas pensando bem, como aproveitar um super-herói fantasiado cujo poder é ser parecido com "Uma Babá Quase Perfeita"? Matutemos sobre tão fundamental questão enquanto assistimos a um trecho do Robin Williams no ápice da sua bisonhice no supracitado filme:


   Trechos de "Uma Babá Quase Perfeita" (1993), super-herói travesti-heterossexual do Robin Williams que limpa, dança, cozinha, salva seu casamento do Ricardão e ainda espanca assaltantes de velhinhas na rua!


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A constelação dos Cavaleiros do... Onan

Me dê sua força Pegasuuuuus!!!

O cosmo das décadas de sessenta e setenta pulsa poderosamente! Nos anos 50 o conceito de "sex symbol" veio desafiar a caretice que assolava a cultura popular influente dos States - viva Marilyn Monroe! Com os anos sessenta veio a liberdade sexual e os sonhos ficaram muito mais molhados com a existência de uma verdadeira constelação de gostosas-objeto inesquecíveis, caríssimos!! Brigitte Bardot, Ursula Andress, Jayne Mansfield, Jane Fonda...  As estrelas que encabeçam o topo dessa reverente lista são unânimes em toda a sua gostosidade espetacular.

E os Cavaleiros do Zodíaco com isso? Ora, vamos ao momento nerd: a partir do final dos anos oitenta os protagonistas do anime-coqueluche ficavam mais fortes escolhendo constelações específicas que entravam em sintonia com o seus chakras! Pensando na Constelação das Gostosas de Vênus (!) do primeiro parágrafo, na verdade todo nerd espinhento tarado ficava forte somente de um braço forte (ainda que de olhos fundos!), se acabando de homenagear solitariamente essas atrizes-estrelas maravilhosas de outrora, musas primordiais no altar de outra Ordem de Cavaleiros que não a zodiacal: a Ordem Sagrada dos Cavaleiros de Onan!

Raquel Welch, uma das estrelas mais brilhantes da Constelação das Gostosas de Vênus dos anos Sessenta, é a homenageada da vez. Se Ursula Andress é imortalizada surgindo das águas com seu biquini de bond girl em 62 contra o satânico Dr. No, Raquel Welch tem o mérito de preencher o inesquecível (e por que não pioneiro!) biquini de pele de bicho pré-histórico um milhão de anos antes de Cristo! Como? Graças ao remake dos estúdios da Hammer Produções, "One Million Years B.C", de 66, onde dinossauros e mulheres de biquini convivem juntos gloriosamente! Nos pôsteres e imagens desse filme é possível perceber porque a modelo/atriz/cantora é dos ícones estelares mais brilhantes dos psicodélicos anos sessenta!








Tentando recuperar o fôlego dessas imagens sensacionais, existe uma apresentação fenomenal da Raquel Welch no especial de tevê "tchap-tchura, bicho!" de 1970, "Raquel!", pérola que leva o nome da nossa amada estrela fascinante, claro! Nossa gostosa heroína cantante se torna uma espécie de Carmen San Diego psicodélica, viajando pelo mundo e gravando videoclipes maravilhosos de músicas fundamentais e também estelares dos anos setenta ("Here Comes The Sun", "Good Morning Starshine", "Let The Sunshine In" e por aí vai) em Paris, Los Angeles... e México!!



E para deixar tudo temático, em suas andanças pelo México, depois de dançar vestida com um biquini espacial-alienígena (!) Raquel Welch nos apresenta aos Cavaleiros do Zodíaco mais bizarros de todos os tempos  no videoclipe de "Aquarius", como somente os carnavalescos e nada sutis anos setenta podem proporcionar! Em destaque naquele cenário, esqueçam as colunas gregas que ficaram famosas no design do anime dos Cavaleiros do Zodíaco: para horror, medo e desespero do Cavaleiro de Libra (meu próprio signo), o pobre coitado se equilibra desesperadamente pelos degraus estreitos das pirâmides astecas enquanto pendem da sua tosquíssima fantasia de balança penduricalhos bisonhos! Impagável!

E que venha a Era de Aquário elevada até o Sétimo Sentido com uma das estrelas mais brilhantes da Constelação das Gostosas de Vênus - Viva Raquel Welch, seja cantando, seja de biquini das cavernas, não importa!! A musa brilha homenageada solitariamente no Altar da Ordem Sagrada dos Cavaleiros... de Onan!!

Trecho do especial de tevê de "Raquel!" de "Aquarius" e "Let The Sunshine In" (1970):